
Morre Austregésilo Carrano, pioneiro da luta antimanicomial no Brasil
O escritor paranaense Austregésilo Carrano Bueno morreu ontem (27), aos 51 anos, em São Paulo.
Carrano na passeata da luta antimanicomial em Curitiba, maio de 2004
Morre escritor Austregésilo Carrano, que inspirou filme "Bicho de Sete Cabeças"
O escritor paranaense Austregésilo Carrano Bueno morreu ontem (27), aos 51 anos, em São Paulo. O autor foi internado no Hospital das Clínicas, no bairro Pinheiros (região oeste de São Paulo), na última segunda (26), por volta das 20h, com uma infecção provocada por um câncer no fígado. Ele morreu às 17h40 dessa terça, informou a assessoria do hospital.
Austregésilo Carrano Bueno, que escreveu o livro "Canto dos Malditos", sobre sua história como interno de um hospício onde foi colocado pelo próprio pai, que o pegou com maconha. O livro inspirou o filme "Bicho de Sete Cabeças", de Laís Bodanzky. Curitiba (PR), 13.06.2001, foto de Marcio Machado/Folha Imagem
Austregésilo Carrano Bueno sofria de câncer no fígado; ele foi autor do livro que inspirou longa "Bicho de 7 Cabeças"
Carrano foi autor do livro "Canto dos Malditos", no qual narrou abusos psiquiátricos dos quais foi vítima na juventude em centros de internação de Curitiba e do Rio.
O livro serviu de base para o filme "Bicho de Sete Cabeças" (2001), da diretora Laís Bodanzky e protagonizado pelo ator Rodrigo Santoro. Bodanzky conversou com a Folha Online e lamentou a morte do escritor.
"Creio que vai ficar a imagem de uma pessoa muito corajosa que expôs uma experiencia triste e dolorosa que muitos esconderiam, devido ao preconceito. Mesmo sabendo que seria perseguido e taxado como alguém que foi internado em centro psiquiátrico, ele foi em frente com a intençao de fazer um grande alerta. Para mim, vai ficar a imagem de um homem que não teve medo de encarar a vida de frente", declarou.
Laís Bodanksy disse que conheceu o trabalho de Carrano durante uma pesquisa sobre saúde mental no Brasil.
"O livro do Carrano é um livro que foi cassado. Durante a pesquisa, chegou um exemplar de "Canto dos Malditos" nas minhas mãos. O Carrano mesmo vendia, em universidades e shoppings. Quando li, fiquei muito emocionada em ver aquela coragem dele de se expor, com aquele desejo de que outras pessoas nao vivessem o que ele viveu. Achei que o filme poderia amplificar esse alerta. E foi o que aconteceu", disse a diretora.
Por conta de uma ação movida pela família de um psiquiatra, o livro foi proibido de ser vendido, e só foi autorizado a voltar às livrarias no ano passado. Bueno era militante do movimento antimanicomial.
Segundo o Serviço de Verificação de Óbito de São Paulo, o corpo foi levado para Curitiba, cidade natal do autor, onde será enterrado. O velório tem início previsto para 14h, no cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. O enterro está marcado para 17h.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u406211.shtml
O escritor paranaense Austregésilo Carrano Bueno morreu ontem (27), aos 51 anos, em São Paulo. O autor foi internado no Hospital das Clínicas, no bairro Pinheiros (região oeste de São Paulo), na última segunda (26), por volta das 20h, com uma infecção provocada por um câncer no fígado. Ele morreu às 17h40 dessa terça, informou a assessoria do hospital.
Austregésilo Carrano Bueno, que escreveu o livro "Canto dos Malditos", sobre sua história como interno de um hospício onde foi colocado pelo próprio pai, que o pegou com maconha. O livro inspirou o filme "Bicho de Sete Cabeças", de Laís Bodanzky. Curitiba (PR), 13.06.2001, foto de Marcio Machado/Folha Imagem
Austregésilo Carrano Bueno sofria de câncer no fígado; ele foi autor do livro que inspirou longa "Bicho de 7 Cabeças"
Carrano foi autor do livro "Canto dos Malditos", no qual narrou abusos psiquiátricos dos quais foi vítima na juventude em centros de internação de Curitiba e do Rio.
O livro serviu de base para o filme "Bicho de Sete Cabeças" (2001), da diretora Laís Bodanzky e protagonizado pelo ator Rodrigo Santoro. Bodanzky conversou com a Folha Online e lamentou a morte do escritor.
"Creio que vai ficar a imagem de uma pessoa muito corajosa que expôs uma experiencia triste e dolorosa que muitos esconderiam, devido ao preconceito. Mesmo sabendo que seria perseguido e taxado como alguém que foi internado em centro psiquiátrico, ele foi em frente com a intençao de fazer um grande alerta. Para mim, vai ficar a imagem de um homem que não teve medo de encarar a vida de frente", declarou.
Laís Bodanksy disse que conheceu o trabalho de Carrano durante uma pesquisa sobre saúde mental no Brasil.
"O livro do Carrano é um livro que foi cassado. Durante a pesquisa, chegou um exemplar de "Canto dos Malditos" nas minhas mãos. O Carrano mesmo vendia, em universidades e shoppings. Quando li, fiquei muito emocionada em ver aquela coragem dele de se expor, com aquele desejo de que outras pessoas nao vivessem o que ele viveu. Achei que o filme poderia amplificar esse alerta. E foi o que aconteceu", disse a diretora.
Por conta de uma ação movida pela família de um psiquiatra, o livro foi proibido de ser vendido, e só foi autorizado a voltar às livrarias no ano passado. Bueno era militante do movimento antimanicomial.
Segundo o Serviço de Verificação de Óbito de São Paulo, o corpo foi levado para Curitiba, cidade natal do autor, onde será enterrado. O velório tem início previsto para 14h, no cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. O enterro está marcado para 17h.
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