
Arthur Bispo do Rosário - dados / data
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Nascido em 1911* na cidade de Japaratuba, em Sergipe, Arthur Bispo do Rosário se mudou em 1925 para o Rio de Janeiro, alistando-se na Escola de Aprendizes de Marinha. Durante oito anos foi, além de marinheiro, pugilista. Em 1933 foi admitido pela Light, como lavador de bondes e borracheiro. Um acidente de trabalho o levou a mover uma ação judicial contra a empresa, estabelecendo contato com o advogado Humberto Leone. Realizou todo tipo de trabalho doméstico em sua residência, em troca de comida e moradia. Em dezembro de 1938, Bispo do Rosário alucina e afirma ter visto Cristo surgir no quintal da casa, acompanhado de sete anjos azuis. Perambula pela cidade por dois dias, até que é internado no manicômio da Praia Vermelha. No ano seguinte, diagnosticado esquizofrênico-paranóico, é transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, subúrbio do Rio de Janeiro. Ele só sairia do hospício em 1944, e apos isso, em várias idas e vindas, assumiu funções como porteiro de hotel, ajudante de escritório de advocacia e guarda-costas de um senador. No início da década de 1960 foi admitido em uma clínica pediátrica como faxineiro e faz-tudo. Nessa época Bispo morou isolado no sótão e desenvolveu parte de sua produção. Em 1964, finalmente retornou à Colônia Juliano Moreira, onde passou a ocupar, progressivamente, com suas obras, um labirinto de celas no pavilhão 10, no coração do manicômio, de onde nunca sairia. De sucata e de sobras, Bispo deu origem a centenas de objetos e miniaturas, assemblages e bordados, mantos e estandartes. Artífice de um vocabulário próprio, nos escuros interiores da colônia, ele reinventou sapatos, xícaras, martelos, rolhas, lápis, saboneteiras, relógios, pentes, em uma lista interminável que ele não cansava de ampliar. Ansioso, produzia para catalogar o quanto pudesse, antes que chegasse o grande dia da prestação de contas perante Deus, Nunca se considerou um artista, mas um ser iluminado, filho da Virgem Maria, incumbido de salvar parte do mundo real e suas almas. Bispo seguiu, inabalável, sua odisseia como criador de uma obra única até o dia 5 de julho de 1989, quando morreu, aos 78 anos, vítima de infarto do miocárdio e arteriosclerose. Em outubro de 1989 foi inaugurada, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, a primeira mostra individual em sua homenagem. No início de 1993, o MAM-RJ promoveu a mais completa retrospectiva, reunindo quase 800 peças. A consagração internacional veio em 1995, na 46ª Bienal de Veneza. Em 200, seu trabalho foi um dos grandes destaques na Mostra do Redescobrimento do Brasil + 500, em São Paulo. No final de 2001, parte dessa exposição seguiu para o Museu Guggenheim como Brazil: Body and Soul. Suas obras têm integrado importantes exposições coletivas, como Viva Brasil Viva (1991, em Estocolomo), Así Está La Cosa: Instalación y Arte Objeto en America Latina (1997, na cidade do México), Cotidiano/Arte. O Objeto – Anos 90 e Por que Duchamp? (ambas em 1999, em São Paulo). Fundação Cartier (2001, em Paris). O Museu Bispo do Rosário, na Colônia Juliano Moreira, reúne e preserva, hoje, o conjunto de sua produção.
(*) Segundo registros da Light, onde trabalhou entre 1933 e 1937, nasceu em 16 de março de 1911. Nos registros da Marinha de Guerra do Brasil, onde serviu entre 1925 e 1933, consta 14 de maio de 1909.
Arthur Bispo do Rosário was Born in 1911 (or 1909) in Japaratuba, in the state of Sergipe and moved to Rio de Janeiro in 1925, where he entered the Navy Cadet School. For eight years he was a sailor and, too, a boxer. In 1933 he went to work for the Light company to wash streetcars and repair tyres. An accident at work led him to sue the company and introduced him to Humberto Leone, a lawyer, for whom he came to do all kinds of domestic tasks in exchange for room and board. In December 1938 Bispo do Rosário hallucinated and saw Christ emerge from de back yard of Leone’s house, accompanied by seven blue engels. He wandered around Rio de Janeiro for two days until he was interned in the Praia Vermelha mental hospital. The following years, he was diagnosed as paranoid schizofrenic and transferred to the Juliano Moreira Colony in Jacarepaguá, in the suburbs of Rio. He left the asylum in 1944 and from that time worked, on and off, as a hotel doorman, assistant in a lawyer’s office and bodyguard for a senator. At the beginning of the 1960s he was hired as a janitor and handyman at a pediatric clinic. At that time, Bispo lived alone in a garret and produced part of his work. In 1964 he returned to the Juliano Moreira Colony and begun to fill a labyrinth of cells in Pavillion 10 with his work, filling the heart of the asylum that he never left again. Bispo made hundreds of objects and miniatures, assemblages and embroidery, canopies and banners out of junk and scraps. Author of his own particular vocabulary, in the dark interior of the colony he reinvented shoes, cups, hammers, corks, pencils, soap dishes, watches and combs in an endless list that he tirelessly made longer. He was anxious to catalogue everything he could before the great day of accounting before God. He never considered himself an artist, but an enlightened being, son of the Virgin Mary, who had been assigned to save part of the real world and its souls. Bispo stayed the course in his odyssey as creator of a unique oeuvre until July 5, 1989, when he died at the age of 78, of a heart attack and arteriosclerosis. In October 1989, the Parque Lage Visual Arts School held the first individual exhibition in his honor. At the beginning of 1993 the Museum of Modern Art of Rio de Janeiro sponsored a more complete retrospective of almost 800 pieces. International fame came in 1995, at the 46th Venice Biennale. In 2000 his work was one of the highlights of the Rediscovery of Brazil Exhibition Brazil + 500, in São Paulo. At the end of 2001, part of that exhibition was sent to the Guggenheim Museum in New York in the Brazil: Body and Soul show. His work has been part of other important collective exhibitions, like Viva Brasil Viva (1991, in Stockholm), Así Está la Cosa: Instalación y Arte Objeto en America Latina (1997, in Mexico City), Cotidiano/Arte. O Objeto – Anos 90 and Por que Duchamp? (both in 1999, in São Paulo), Cartier Foundation (2001, in Paris). Today, the Bispo do Rosário Museum at the Juliano Moreira Colony holds and preserves all of what he made.

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